Olá pessoal, segue um pouco sobre o nascimento da música de trabalho “Vou”
Fazer música é um processo nada previsível. Como alguns já sabem eu sempre começo pela melodia. Com “Vou” não foi diferente.
Fiz, como sempre, no violão. A estrofe veio fácil e gostei muito! Era aquilo. Nascia a melodia cantada com frases desconexas em inglês, que sempre canto só pra dar o caminho melódico da música. Nasceu sob o nome de “Love will fade away”. É, realmente, nada a ver com o que virou depois a letra de “Vou”.
Experimente no seu violão, veja que puta idéia boa (espero que você concorde comigo). Cante a letra da estrofe e acompanhe com a cifra a seguir . “A” Vou… se vo”G”cê vier… “D”dentro… O “Em”tempo é mais… pra gente se ver… “A” Eu não sei… o que “G”vou dizer… que o “D”vento… Me ”Em”leve…
Só até aí já sabia que tinha algo que valia a pena. Claro, na época não tinha letra, só palavras em inglês quase fora de contexto.
Até aí fora fácil, rápido, gostoso, como seria o sonho de todo compositor. Daí pra frente enguiçou. Foram várias tentativas. Com refrão, sem refrão, explorando o mesmo “motivo melódico”, tentando caminhos novos, com ponte antes do refrão, sem ponte antes do refrão…
Por incrível que pareça, uma das idéias rejeitadas foi o refrão que hoje vocês conhecem, que foi “ressucitado” e passou a fazer sentido quando coloquei antes dele a melodia que hoje se refere a “Tudo bem… pode se soltar… é assim… tudo faz sentido.” Aí a mesma idéia, antes rejeitada, encaixou. Como se eu descobrisse o ovo antes de conhecer a galinha… rs. Essa comparação foi ruim… Eu sei. Mas vocês entenderam.
Quando mostrei pro Renato (Renato Candro, arranjador, parceiro e amigo), eu ainda estava meio ressabiado. Mas ele falou “Fechou, tá legal, é isso aí!”. E realmente vi que tinha ficado boa. O mesmo refrão, que antes não tinha gostado, dessa nova forma tinha ficado legal. E passamos pra um outro passo chamado letra.
Aí dificultou. Em todas as músicas, eu já tinha uma idéia, uma sensação, um caminho para o que deveria ser o tema da letra em função do que me dizia a melodia. Mas escrever, amigo. É outro papo. Esse “amigo” foi com copyright para Galvão Bueno…rs
Enfim, entra em cena meu parceiro para as letras, o mesmo Renato Candro. As melodias foram 100% minhas, mas as letras, sem a participação dele, teriam perdido muito em qualidade. Todas as letras escrevemos a quatro mãos, juntos e ao mesmo tempo. E a letra de ”Vou”, em especial, tem bastante a assinatura dele. Dele também nasceu o arranjo que hoje vocês conhecem.
Quando comecei, era mais lenta, mais arrastada e um pouco mais pesada. Depois do arranjo ficou mais palatável, mais acessível a diferentes gostos, mais legal.
E agora? Acabou? Nãããooo. Falta gravar. Deixo destaque para a gravação da minha voz, sempre difícil, porque a auto-crítica, que as vezes ajuda, muitas vezes atrapalha. E a guitarra, que foi gravada duas vezes. E na segunda, fiquei bem mais feliz. Feito isso, mixada e masterizada junto com as outras, acabou. Agora sim.
Amigos e amigas, como as outras, foi muito bom dar a luz esta canção. Espero que vocês gostem. Não só dela, mas das outras mais de 10 que estão chegando até vocês em breve, para o que será o álbum “O dia pede mais”.
Espero vocês no dia 15. Os primeiros 150 ganharão o single com “Vou” e mais 3. E ainda ouveirão ao vivo mais algumas além dessas 4.
Até lá!